Capítulo 6 - A Escolha
John estava conversando com Simeão e o solicitou para explicar sobre um assunto que ele tinha mencionado na manhã anterior, a práxis.
Ah, sim, práxis. Obrigado por me lembrar. O pensamento tradicional nos ensina que os pensamentos e sentimentos dirigem nosso comportamento. E isso é verdade. Nossos pensamentos, sentimentos e crenças - nossos paradigmas - exercem de fato grande influência sobre nosso comportamento. A práxis ensina que o oposto também é verdadeiro: nosso comportamento também influencia nossos pensamentos e sentimentos. Quando nos esforçamos em se concentrar em alguém ou algo durante um certo tempo, começamos a desenvolver sentimentos por esse objeto ou, em outras palavras, nos tornamos "ligados" a ele. A práxis explica porque gostamos tanto de bichos de estimação, bebidas, cigarros, jardinagem, carros e outras coisas que preenchem a nossa vida. Ficamos presos a quem prestamos atenção, com quem passamos tempo ou a quem servimos. A práxis também trabalha na direção oposta. Numa guerra, por exemplo, os países desumanizam o inimigo. Nós chamamos os "soldados alemães" ou "asiáticos" porque assim os desumanizamos, o que torna mais fácil justificar matá-los. Se não gostamos de uma pessoa e a destratamos, vamos odiá-la ainda mais.
Isso é práxis. Os sentimentos virão também em consequência do comportamento. E é muito difícil fazer isso, forçar-se a ter consideração por alguém que você não gosta. Mas com compromisso e prática é possível.
Simeão continua, dizendo que conheceu muitos pais, esposos, treinadores, professores e outros líderes que não queriam assumir a responsabilidade diante dessas dificuldades. Por exemplo: "Tratarei as crianças com respeito quando elas se comportarem melhor", "investirei em meus empregados quando obtiver um aumento". Sempre a declaração "mudarei quando..." e podem preencher estas reticências com várias outras afirmações. Talvez a declaração devesse se transformar em uma pergunta: "mudarei... quando?". A liderança começa com uma escolha, e algumas dessas escolhas incluem encarar de frente as tremendas responsabilidades que nos dispomos a assumir com as boas intenções.
Mais além, Simeão tocou no assunto "determinismo". Embora Freud tenha dado uam imensa contribuição ao campo da psiquiatria, e por isso devemos ser gratos, ele plantou as sementes do determinismo que tem dado à nossa sociedade todas as desculpas para os maus comportamentos, evitando assim assumirmos nossa responsabilidade. Levado ao extremo, o determinismo significa que para cada efeito ou evento, físico ou mental, há uma causa. Seguir uma receita de bolo é a causa que produzirá o efeito do bolo.
O determinismo genético permite culpar o avô pelos genes ruins de uma pessoa, explicando por que ela é alcoólatra. Determinismo psíquico permite-me culpar meus pais por minha infância infeliz que me levou a fazer más escolhas.
Acho que estamos aprendendo que, embora os genes e o ambiente tenham efeito sobre nós, ainda somos livres para fazer nossas próprias escolhas. Temos como exemplos gêmeos idênticos. Mesmo óvulo, mesmo espermatozóide, portanto os mesmos genes - inato. Ambos cresceram no mesmo lar, ao mesmo tempo - adquirido. Contudo, podem ser duas pessoas muito diferentes.
Simeão prosseguiu: Vocês sabem que as pessoas têm hábitos. Vocês notaram que estão sentados nos mesmos lugares que começaram na primeira aula?
Existem quatro estágios para adquirir novos hábitos ou habilidade. Simeão caminhou até o quadro e escreveu:
Estágio 1: Inconsciente e Sem Habilidade
- Este é o estágio em que você ignora o comportamento e o hábito. Você está inconsciente ou desinteressado em aprender a prática e, obviamente, despreparado.
Estágio 2: Consciente e Sem Habilidade
- Você toma consciência de um novo comportamento, mas ainda não desenvolveu a prática. Tudo é muito desajeitado, antinatural e até assustador. Mas, se continuar a lidar com isso, irá para o terceiro estágio.
Estágio 3: Consciente e Habilidoso
Este é o estágio em que você está se tornando cada vez mais experiente e se sente confortável com o novo comportamento ou prática. Você está "adquirindo o jeito da coisa" neste estágio.
Estágio 4: Inconsciente e Habilidoso
Esse é o estágio em que você já não precisa pensar. É o estágio em que a prática já fez tanto efeito, que parece ser a coisa mais natural do mundo. Pianistas eficientes que nem pensam mais em seus dedos batendo no teclado. Este é o estágio em que os líderes conseguiram incorporar seu comportamento aos hábitos e à sua verdadeira natureza. Estes são os líderes que não precisam tentar ser bons líderes, porque são bons líderes.
Pensamentos tornam-se ações, ações tornam-se hábitos, hábitos tornam-se caráter, e nosso caráter torna-se nosso destino.
quinta-feira, 29 de março de 2007
Resumo - O Monge e o Executivo - 6ª parte
Postado por
Pandashi Edge
às
12:08
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1 comentários:
Foi um otimo capitulo concerteza
explica muito bem como fazer um habito
Muito obrigado pelo resumo
fica com Deus
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